
- Tipo
- Caminhada participada
- Data
- 12 de Julho de 2026

Eixo programático Identidade - Territórios Vividos
Curadoria por Vírgilo Pereira Borges
Caminho orientado por Jorge Ricardo Pinto
O Porto Oriental encerra em si uma cidade que se desenvolveu na penumbra da grande centralidade urbana, constituindo um laboratório privilegiado para a análise ao tempo longo daexpansão portuense. Este percurso propõe uma imersão na chamada "cidade invisível", desvelando as marcas materiais que subsistem do processo de transição morfológica e social ocorrido ao longo do século XIX. Entre o fulgor do Romantismo e o advento da industrialização oitocentista, o território das margens suburbanas e das antigas quintas foi profundamente reconfigurado. Por um lado, assistiu-se à inscrição na paisagem de uma nova elite económica (onde sobressaem a burguesia liberal e os capitalistas "brasileiros de torna-viagem"), materializada em arquiteturas românticas de subúrbio, palacetes e eixos abertos à modernidade. Por outro, na mesma matriz geográfica, multiplicou-se o espaço do operariado, visível na intimidade comunitária e informal das "ilhas".
Através de uma caminhada pedonal que parte da centralidade oitocentista do Largo de Soares dos Reis e culmina na resiliência morfológica da antiga aldeia da Lomba, os participantes são convidados a decifrar as sobreposições desta metamorfose. O itinerário explora o papel da desindustrialização e as frentes de modernidade geradas pela ferrovia e por equipamentos assistenciais e fabris, confrontando a antiga opulência das vistas sobre o meandro do Douro com a informalidade da "cidade escondida". Mais do que uma mera retrospetiva histórica, a visita propõe uma leitura crítica da paisagem urbana contemporânea a partir dos elementos de permanência e das cicatrizes deixadas por um século XIX simultaneamente fabril e romântico, que moldou decisivamente a identidade de Campanhã.


Deambulação pela Lomba, 2026 © Grupo de Trabalho Caminhos a Oriente
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